
Dep. LEONARDO VILELA - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com profundo pesar que ocupo hoje esta tribuna para dizer a V.Exas. que o Brasil acaba de viver uma madrugada medonha e indômita, típica dos períodos mais obscuros de nossa história. A poucos quilômetros da Capital Federal, no Município de Santa Helena, interior de Goiás, o monstro da ignorância arrastou mais uma vez os seus grilhões, vitimando uma empresa produtiva, que emprega mais de 700 pessoas. Mas há outras vítimas. A invasão promovida nesta madrugada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da fazenda e do centro de pesquisa da Monsanto no sudoeste goiano abre uma ferida muito maior na dignidade de todos os brasileiros.
Caro Presidente, como representante do único setor produtivo que vem sustentando nosso superávit comercial, já tive e continuo tendo muitos motivos para me orgulhar do Brasil, principalmente do Brasil do interior, aquele que produz, onde o convívio na sociedade sempre me pareceu mais cordato e civilizado do que nas grandes cidades. Veio de lá, de nossas raízes rurais, o conceito de que o brasileiro é um povo amigável. Já tive orgulho disso, por acreditar que somos uma nação livre de guerras, que confia no arbítrio das leis e do sistema representativo para promover o desenvolvimento e reduzir as injustiças sociais.
Continuo acreditando nisso, mas o País vem recebendo golpes duros nas instituições que deveriam ser as mais resguardadas, as mais defendidas. Assistir a qualquer noticiário hoje em dia é colocar-se diante de um desfile de afrontas ao Estado de Direito que nós, representantes do povo, não podemos e não devemos tolerar. O crime organizado, que impôs condições humilhantes à própria liberdade dos cidadãos na maioria das grandes cidades, parece assumir agora uma nova face, desta vez enraizada no interior do País.
Refiro-me ao MST e à situação equivocada e inescrupulosa em que ele se encontra. A bandeira dos sem-terra já foi uma das mais justificadas no Brasil. Em Goiás, como Secretário de Agricultura, pude colocar em prática o respeito que tenho pela causa do MST. Para os próprios sem-terra, acabei me transformando no seu interlocutor predileto no governo. E sabe por quê, Sr. Presidente? Porque sempre prezei o bom senso e sobretudo a legalidade, conceito que agora está sendo pisoteado de forma brutal pelo movimento.
O que eles fizeram nos últimos dois dias em Goiás é a prova cabal de que o MST optou pela ignorância em sua pior forma. Uma ignorância que eu diria quase medieval. A alegação de que a Monsanto deve ser invadida porque usa suas terras para pesquisar alimentos transgênicos veste o MST com uma triste máscara fascista. Em que difere, pergunto aos colegas Deputados, esse preconceito, essa ignorância, de um típico progrom, as terríveis matanças sofridas pelos judeus em vários países da Europa? Meu temor é que esse seja apenas o anúncio de uma série de espetáculos de horrores, caso o Governo da República não tome providências imediatas para barrar esses atos criminosos.
É curioso, caros Deputados e Deputadas: há poucos dias, participei de uma audiência com o Ministro do Desenvolvimento Agrário em que coloquei minha preocupação com a sensação de impunidade, de descontrole da situação. O Sr. Miguel Rossetto manteve sua postura dúbia. Saí do encontro mais preocupado ainda, com a certeza de que o Governo ainda não encontrou o tom certo para administrar esse problema. Devemos defender a distribuição de terras com os auspícios da lei, mas nunca levantar uma bandeira em nome do atraso. É esse o apelo que deixo aos colegas e ao Governo, o apelo sincero de um brasileiro que quer manter o seu orgulho pelo Brasil. Gostaria ainda de solicitar a transcrição nos Anais da Casa do artigo "Teologia da Distribuição de Terras", do jornalista Adair Ribeiro, no jornal Opção, de Goiânia.
Muito obrigado.
"O Estado de Goiás, por meio da SEMARH, editou uma resolução criando a Inspeção Veicular Ambiental. De acordo com o secretário Leonardo Vilela, o projeto deve estar em operação no início do próximo ano. Parabéns Leonardo Vilela e Jaqueline Vieira."