
Senhor Presidente,
Senhoras e senhores parlamentares:
Nós, deputados da bancada de oposição ao governo Lula, estamos acostumados a reclamar da imodéstia do presidente. Quase todos os dias, infelizmente, somos brindados com um ou outro arroubo de prepotência do nosso maior dignitário. Essa arrogância por vezes beira a mais perigosa alienação como se, em vez do engenheiro Marcos Pontes, o País tivesse enviado o próprio presidente ao espaço e ele tivesse ficado por lá nos últimos três anos.
Encontramos sinais da alienação do presidente Lula, por exemplo, quando ele diz que o sistema de saúde no Brasil está muito próximo da perfeição. Ou quando afirma que neste País se faz reforma agrária de forma pacífica e ordenada. Nefelibata e imodesto, Lula pegou gosto de se comparar às figuras mais ilustres do País.
Recentemente, quando a Petrobras comemorava a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo, o presidente não se fez de rogado: usou gestos e fez declarações comparando sua administração à do ex-presidente Getúlio Vargas e a Tiradentes, o mártir da Inconfidência. No mesmo dia, o site da Radiobrás, reforçando a pantomima, chegou a publicar lado-a-lado as fotos de Lula e Vargas.
Exceto pelo prato cheio que suas mãos sujas de petróleo ofereceram a humoristas e cartunistas nos dias seguintes, tal atitude apenas comprova a inconsistência do atual governo e sua tendência para o espetáculo. Não vimos o presidente, em momento algum, referir-se ao esforço histórico que culminou naquela cerimônia da Petrobras. Ao cidadão menos avisado, ficou parecendo que a auto-suficiência em petróleo só se deu porque o presidente Lula determinou de repente que isso acontecesse. Faltou também uma avaliação justa sobre o papel desempenhado pelo uso de fontes renováveis de energia para atingirmos a meta da auto-suficiência.
Como não comentou esse aspecto na cerimônia da Petrobrás, deduzimos que o presidente Lula talvez não saiba. Mas temos a obrigação de lembrar: sem o esforço de 30 anos no desenvolvimento do etanol, o nosso álcool carburante, a participação do petróleo na matriz energética do País seria de 56,18%, em vez dos atuais 40,36%. Simplesmente não teríamos como comemorar a tal auto-suficiência em petróleo.
Digo isso, senhor presidente, sem desmerecer o feito da Petrobras, que soube canalizar esforços e talentos, também durante décadas, para desenvolver a exploração de petróleo em águas profundas. Mas o petróleo, além de ser mais poluente, um dia vai acabar. E enquanto isso, o Brasil é o principal produtor e exportador do melhor combustível renovável desenvolvido até hoje.
Para tanto, unimos o talento dos nossos cientistas ao arrojo dos nossos produtores. Mostramos que o País é capaz de oferecer ao mundo uma verdadeira revolução tecnológica, em condições de plena competitividade. Mesmo assim, nosso presidente se esquece desses detalhes decisivos. Prefere posar para fotos e proferir discursos superficiais.
Mas o que esperar, caros colegas, de um governo que levou a atividade agrícola à mais profunda crise dos últimos anos? Nada mais do que espetáculos burlescos e fora da realidade.
Muito obrigado.
"O Estado de Goiás, por meio da SEMARH, editou uma resolução criando a Inspeção Veicular Ambiental. De acordo com o secretário Leonardo Vilela, o projeto deve estar em operação no início do próximo ano. Parabéns Leonardo Vilela e Jaqueline Vieira."